jusbrasil.com.br
2 de Abril de 2020
    Adicione tópicos

    O século XXI será da Psicologia, garante pesquisador

    O pesquisador Wanderley Codo, doutor em psicologia, previu que da

    mesma forma que o século XX foi dominado pela Física, o XXI será pela

    Psicologia. Codo foi escolhido pelo Sindicato dos Psicólogos de Santa

    Catarina (SinPsi) para trocar ideais com os profissionais da

    categoria a propósito da passagem dos 50 anos de regulamentação da

    profissão, comemorado nesta segunda-feira (27), no Plenarinho Paulo

    Stuart Wright da Assembleia Legislativa. A iniciativa da homenagem partiu da deputada Ana Paula Lima (PT).

    Para Codo, os tempos atuais enfatizam fortemente a subjetividade e

    priorizam as emoções. “Hoje está nas mãos do psicólogo a solução da

    maior parte dos problemas que afligem a humanidade, mas é claro que

    não estamos preparados para isso”, declarou. Ele afirmou ser comum que

    áreas do conhecimento que se estabeleceram recentemente passem por

    crises de identidade. “A psicologia é uma adolescente, está tudo por

    fazer. Ainda dá para torcer o pepino”, comparou Codo.

    Em tom satírico, ele afirmou que o psicólogo não diz ao paciente a que

    veio, não sabe qual problema tem, não tem ideia do que fazer, não tem

    certeza se o tratamento vai dar certo, nem quanto tempo vai durar. “E

    as pessoas ainda pagam pelos nossos serviços”, declarou, arrancando

    gargalhadas da plateia. “Mas pagam porque precisam”, completou,

    enfatizando a responsabilidade do profissional de responder por uma

    demanda social estabelecida e crescente.

    O lugar do psicólogo

    Codo defendeu que a dificuldade de organização dos psicólogos, em

    sindicatos, por exemplo, deriva de circunstâncias objetivas. Ele

    explicou que uma classe profissional é reconhecida pelo lugar que

    ocupa no mundo da produção. Entretanto, segundo Codo, os psicólogos

    são diferentes entre si e ocupam lugares distintos. “O psicólogo

    clínico não faz a mesma coisa que o psicólogo que atua na escola”,

    afirmou.

    Jornada de trabalho

    O pesquisador criticou a iniciativa de institucionalizar uma jornada

    de trabalho de 30 horas para os psicólogos. “A jornada de trabalho

    acabou, ninguém mais tem, o psicólogo muito menos”, explicou. De

    acordo com Codo, pode ocorrer de o profissional ter um insight quando

    assiste à novela, em casa, longe do consultório, e relacionar o

    comportamento de uma personagem com o do paciente. “Não dá para

    aplicar ao psicólogo a mesma lógica do trabalho de fábrica, não vai

    dar certo”.

    Cuidador

    Para o pesquisador, o psicólogo é um cuidador de pessoas e está

    sujeito, no exercício da sua profissão, de “fadiga por compaixão”.

    Os sintomas dessa fadiga são despersonalização e baixo

    comprometimento profissional. “A compaixão é bela, dá prazer e também

    produz dor, mas a psicologia não pode ser exercida sem ela”, afirmou.

    (Vitor Santos)

    0 Comentários

    Faça um comentário construtivo para esse documento.

    Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)